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Sufoco para chegar à Antártica. Pesquisador teve que ficar em Santa Catarina.
Por Luís Indriunas | 5 de dezembro de 2008
A partir dessa semana, o blog do Ano Polar tem a excelente contribuição de um grupo de pesquisadores, a maioria da área de microbiologia, que irão relatar um pouco dos prazeres e das dificuldades da viagem de campo e também dos trabalhos que estão sendo feitos na Antártica neste verão. A primeira colaboradora é a doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Lia Cardoso Rocha Saraiva Teixeira. Leia seus primeiros depoimentos.
Difícil chegada à estação Comandante Ferraz.
“Como parte das pesquisas do Ano Internacional Polar, iniciamos na semana passada a expedição de verão 2008/2009 do nosso grupo de microbiologistas. Somos quatro pesquisadores. Eu, doutoranda da UFRJ, e o meu colega de universidade Hugo Emiliano, que faz iniciação científica, viemos com o objetivo de estudar a diversidade de bactérias dos solos antárticos. A Lidiane da Silva Araújo doutoranda do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) irá isolar bactérias com potencial para transformações químicas e Renata Ferreira Hurtado, virologista do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB – USP) irá estudar os vírus presentes em pingüins. A equipe infelizmente não pode contar a presença do professor titular da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), dr. Joaquim Olinto Branco, especialista em aves, em virtude das fortes chuvas que acometeram sua cidade, Itajaí, no sul do país.
Chegamos á estação antártica Comandante Ferraz (EACF) no dia 28 de novembro após dois dias aguardando a melhora das condições climáticas em Punta Arenas, no sul do Chile. Saímos do Chile no dia 27 de novembro no fim da tarde e desembarcamos na estação antártica chilena no inicio da noite. O céu, apesar de encoberto, ainda estava claro. Durante o verão antártico as noites são bastante curtas, havendo períodos onde o sol não desaparece no horizonte. O navio brasileiro já estava nos aguardando para nos levar a estação brasileira. A principio achávamos que, a qualquer momento, estaríamos desancorando para seguir caminho rumo a Ferraz. No entanto, apenas às 2 da manhã foi nos dada a notícia de que passaríamos a noite no navio para desembarcarmos somente na manhã seguinte.
Na manhã seguinte ao chegarmos ao nosso destino, fomos muito bem recebidos pelo grupo da Marinha que está cuidando da estação durante esse ano. Passadas as comemorações e rituais de chegada tratamos de nos acomodar e dar início ao nosso trabalho. Todo o material de pesquisa que utilizamos durante o verão chega á estação pelo navio um mês antes do nosso desembarque. Então, nossa primeira tarefa foi localizar nossas caixas e levá-las ao laboratório para dar inicio à organização. Também foi necessária a ajuda do pessoal da Marinha para que o laboratório funcionasse perfeitamente. Não saía água das torneiras, tomadas não funcionavam, o gás havia acabado… Mas após uns pequenos ajustes tudo já estava no seu devido lugar e em perfeito funcionamento.
Como nossa chegada à estação foi numa sexta-feira, durante o fim de semana, ficamos por conta dessa arrumação para começarmos nosso trabalho efetivamente na segunda-feira. Aproveitamos também para descansar e conhecer melhor o grupo da Marinha e os outros pesquisadores que também estarão fazendo pesquisa durante esse verão aqui na Antártica. Todos estão muito animados com suas pesquisas. Entre uma conversa e outra sempre surgia uma ponta de ansiedade pelo começo do trabalho e claro, um frio na barriga: será que vai dar tudo certo?“
Tópicos: Pesquisas, curiosidades, notícias |

Luís Indriunas, editor do HSW Brasil, é jornalista formado pela USP e mestre em planejamento do desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA.
7 de dezembro de 2008 às 18:47
Eu sou muito emocionada com minha filha ainda tão jovem, mas já participando ativamente de um projeto tão importante que é o da presença brasileira nas pesquisas na Antártica, é a terceira vez que ela vai a Antártica. A participação de jovens pesquisadores em projetos dessa desenvoltura demonstra o amadurecimento na pesquisa no Brasil. O Ano Polar é altamente significativo para informar ao mundo o que está sendo estudado na região e para nós “tupiniquis” mais ainda. Parabéns pelo seu blog e para todos os pesquisadores e o pessoal da marinha e não deixando de ser mãe coruja, para a nossa correspondente da Antártica – Lia.