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O imbróglio diplomático do Uruguai na Antártica

Por Luís Indriunas | 1 de dezembro de 2008

Primeiro era a Venezuela. Agora, Portugal. A procura de parceiros para ajudar as pesquisas do Uruguai no continente antártico fez a diplomacia do país sul-americano se enrolar. Primeiro, assumiu que iria ter uma parceria com a Venezuela, fato que depois foi desmintido veementemente pelo secrérário das relações exteriores do Uruguai, Gonzálo Fernandez. Ele anunciou em seguida a possibilidade de uma parceria com Portugal. Aliás, o Uruguai pretende apoiar, como padrinho, a entrado do país ibérico no Tratado da Antártica. A Venezuela faz parte do tratado como membro não-consultivo.

O problema uruguaio está em ter que manter duas estações científicas no continente Antártico. O Uruguai tem uma tradição de pesquisas no continente que remonta o início do século 20, quando aconteceram as primeiras grandes expedições de aventureiros e pesquisadores ao continente. Em 1968, foi criado o Instituto Antártico Uruguaio. Em 1980, o país assinou o Tratado da Antártida. Em 1984, fundou sua primeira estação científica . E, em 1997, o Uruguai “ganhou” da Grã-Bretanha um novo complexo de pesquisa científica. O país europeu decidiu doar para não desmantelar a estrutura. 

Pequeno e com poucos recursos , o país acabou ficando com duas estações, mas trabalhando apenas em uma, na primeira estação fundada, que fica da Ilha Rei George, onde também está a estação científica brasileira Comandante Ferraz. Manter essas estruturas não é só uma questão de geopolítica. Na frágil região antártica, essa estrutura deve ser desmantelada, se não for usada, afinal os países que participam de pesquisas na região têm a obrigação de zelar pelo menor impacto ambiental possível. Esperamos que esse embróglio todo acabe sendo positivo para as pesquisas na região e que o continente não vire objeto de barganha com tantas partes do nosso planeta.

Tópicos: notícias, reflexões |

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