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Embaixador do clima prega economia contra aquecimento global

Por Luís Indriunas | 19 de agosto de 2008

Eles são 39 jovens estudantes de 13 países escolhidos para seres embaixadores do clima, uma espécie de porta-voz juvenil do meio ambiente no mundo. Eles foram selecionados pelo British Council nos países do chamado G8+5 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido, EUA + Brasil, China, Índia, México e África do Sul) e participaram no Japão da Conferência Mundial do Meio Ambiente no primeiro semestre deste ano, além de participar de outros treinamentos e encontros. Do Brasil, foram selecionados Guilherme Pastore, de São Paulo, Laila Santos, de Goiás, e Antônio Filho, do Ceará. Conversei com Antônio por email para explicar melhor o que significa isso. Ele, inclusive, esteve em um dos bate-papos da exposição Latitude 90º.

 

O que é ser embaixador do Clima?

É procurar levar o conhecimento de mudanças climáticas a todos, mostrar que é possível solucionar o problema caso todos, sem exceção, se conscientizem da real gravidade do problema e de que a participação geral é necessária.

Como aconteceu a escolha dos embaixadores?

Ao ver o site do programa baixei a ficha de inscrição e a preenchi. Era necessário fazer uma pequena descrição de si e uma redação sobre o tema “mudanças climáticas”. Seiscentas pessoas mandaram sua fichas de inscrição. Dessas, o British Council escolheu 21 finalistas. Fiquei entre esses. A etapa seguinte era uma prova de inglês e uma entrevista – em inglês e português – a serem realizadas no escritório do British Council em Recife. A entrevista foi realizada por vídeo-conferência entre o escritório de Recife (onde eu estava) e o escritório do Rio de Janeiro (onde estavam meus avaliadores). O resultado saiu aproximadamente 2 semanas depois, antes do dia previsto, ou seja eu não esperava de maneira alguma.

Que tipo de evento ou trabalho você tem feito?

Eu estudo economia, então estou tentando pesquisar sobre a economia das mudanças climáticas. É uma nova área, mas muito importante, pois, já que uma abordagem humana muitas vezes não convence, tentemos convencer as pessoas pela economia, provando que tomando medidas sustentáveis, evitamos prejuízos e ainda se consegue bons lucros por mais tempo. Como um dos objetivos do programa é integrar mais a juventude na questão das mudanças climáticas, estou dando palestras, principalmente em escolas, sobre esse tema. Nessas palestras, mais do que tentar construir um cenário apocalíptico, tento mostrar a importância da ação de cada um na construção de uma sociedade baseada na baixa emissão de carbono.

Dos lugares que você passou, quais os mais receptivos?

A aceitação foi muito boa entre todos. Jovens falam comigo “Cara, você ganhou um fã!”, os adultos “Sua abordagem, mais econômica, é muito séria e mostra ser uma boa iniciativa”. Todos, à sua maneira, captam algo das palestras e sentem que a situação tem que mudar. Isso que é importante, que cada um, dentro de seu modo de ser, comece a mudar. Não quero que ninguém vá para o campo e voltemos para uma sociedade feudal.

Quais os programas que você fez ou fará em relação ao Ano Polar?

Em minhas palestras, tento focar bastante nos pólos. Devido ao fato de serem ecossistemas extremamente frágeis e sensíveis a quaisquer mudanças, tento ligar o alto nível de derretimento do Ártico e da Antártida com as mudanças climáticas e mostrar as conseqüências econômico-sociais para a humanidade inteira caso algo não seja feito para reverter essa situação de aquecimento global.

Tópicos: Latitude 90, notícias, reflexões |

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