ASSINE 0800 703 3000 BATE-PAPO E-MAIL SAC Voip E-Mail Grátis Shopping

« Para os jovens cientistas | Página inicial | Latitude 90 vai para Bertioga e Instituto Goethe »

Líder esquimó faz auto-ajuda ecológica

Por Luís Indriunas | 14 de agosto de 2008

O líder esquimó Angaangaq, do grupo  Eskimo-Kalaallit e morador do extremo norte da Groenlândia, esteve ontem no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, falando para uma platéia de estudantes e profissionais de economia, administração de empresas e afins.

A platéia riu com Angaangaq, mas  recebeu poucas informações e muitas frases de efeito no melhor estilo dos show-men de auto-ajuda. É pouco provável que alguém no bem informado auditório não soubesse pelo menos de passagem sobre os efeitos do aquecimento global no Ártico. É verdade que o testemunho de quem vive em regiões de natureza frágil é sempre encorajador para pensar melhor sobre o assunto. “Nos meus 60 anos de vida, vi a camada de gelo diminuir de 5 km de espessura para 2,5 km”, disse o líder esquimó, com voz pausada.  “Como não consigo mais fazer iglus para minha temporada de caça, acabo tendo que levar equipamentos que pesam cerca de 100 quilos e como conseqüência mais cães para carregá-los e, por isso, acabo matando mais focas para alimentá-los”, comentou o xamã.

O problema é que o testemunho e a força das informações não passam disso. Ao falar de razões e maneiras de reverter a situação, ele não conseguiu fugir do lugar comum. “Minha terra está derretendo por causa do modo como se vive em São Paulo, Los Angeles ou Montreal.”  Reclamou do Greenpeace que o proíbe de caçar focas e evitou falar das diferenças das várias etnias de esquimós e as formas como cada país atua no Ártico. “Os pássaros não sabem qual é a fronteira do Alaska, do Canadá ou da Dinamarca”.

No final, Angaangaq sugeriu uma mudança espiritual. “A maior distância que existe entre os homens e da mente com o coração”. Tocou seu tambor, cantou e rezou.  A platéia, acostumada a lidar com os árduos números e duras condições do mundo dos negócios, saiu de lá com o sorriso no rosto e mais uma vez convicta da importância da luta ambiental. Ótimo. Apenas um mal estar fica na cabeça dos mais críticos que assistiram ao encontro. É preciso um esquimó vir falar dos problemas ambientais e pedir que rezemos? Será que não temos pessoas com testemunhos tão potentes quanto ou com grande espiritualidade pertinho de nós?

Bom, como nada é em vão na vida. Fica o testemunho de Angaangaq, o mantra que cantou e a vontade de saber um pouco mais concretamente sobre os grandes problemas que afetam o Àrtico.

Tópicos: notícias, reflexões |

Comentários