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Bate-papo sobre as viagens à Antártica
Por Neusa Paes Leme | 27 de junho de 2008
O segundo encontro do Latitude 90º, na manhã do dia 6 de junho, foi mais leve e aventureiro, mas nem por isso menos sério. Para um teatro lotado de alunos de 2º grau, o metereologista Rubens Junqueira Villela e o educador ambiental Fábio Cascino contaram suas experiências nas viagens pela Antártica, recheando o assunto com consciência ambiental. A mediação foi feita pelo jornalista Ulissis Capozolli.
![]() Luís Indriunas Villela, Capozolli e Cascino no bate-papo do dia 6 de junho |
Villela foi o primeiro brasileiro a chegar no Pólo Geográfico Sul, ou seja, na latitude 90º do continente antártico. A aventura de Villela aconteceu em 1961. Veja alguns flashs do bate-papo com o experiente aventureiro.
“De repente, o navio encalhou no oceano congelado. Foram vinte dias presos. As tentativas com explosivos na superfície para sair não davam certo. Começamos a explodir por baixo dos blocos de gelo. Foi nossa salvação.”
“A idéia de usar a água doce da Antártica foi praticamente abandonada hoje em dia por questões econômicas, mas elas pode voltar a ser cogitadas. Os argentinos quiseram levar um iceberg para lá. Se desse certo, eles teriam como abastecer 8 milhões de pessoas durante um ano.”
“Quando chegamos, de helicóptero, no Pólo Sul a temperatura era – 40º com ventos a 20 km/h. O ar é rarefeito. A altitude onde estávamos era de 3 mil metros, mas havia a sensação de estarmos a 4,5 mil metros de altitude. Teve gente com náuseas, dores de cabeça, um desmaiou assim que desembarcou. Eu, graças ao preparo físico da época, não senti nada.”
“O frio era tão intenso que quando fui fotografar o hasteamento da bandeira americano (era uma expedição dos Estados Unidos), o contato do alumínio com a pele, fez a máquina grudar no rosto e eu acabei ferido”.
Já Cascino falou diretamente para a platéia, já que é educador ambiental.
“Fui realmente tomar consciência dos problemas do aquecimento global na Antártica como alpinista, mesmo já sendo professor. Os cientistas falavam em aumento de 2º C na temperatura média da Terra e só lá entendi o que isso significava de grave. Afinal, ingenuamente, quem mora em São Paulo acho que acordar com 12º C e depois no meio-dia está 24º C, está tudo bem”.
“A maioria aqui está na classe A e B. E veja o que seus pais pagam para o seu estudo é o equivalente a o que cerca de 50% das famílias brasileiras recebem todo mês.”
“Se todo mundo consumisse como consumismo eu e vocês nós precisaríamos de três planetas Terra. Precisamos mudar nosso estilo de vida e já”.
Tópicos: Latitude 90 |

Luís Indriunas, editor do HSW Brasil, é jornalista formado pela USP e mestre em planejamento do desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA.