Foca neurótica
Por Luís Indriunas | 26 de agosto de 2008
Acabei de pegar essa notícia da BBC. Foca do Ártico trata ‘fobia a frio’ com máquina de gelo. A história é inusitada: uma foca de dois anos foge do gelo e tenta viver em águas mais quentes. Pela matéria, não é possível saber a razão para ela se comportar assim. De qualquer modo, os biólogos estão tentando fazer ela se acostumar ao gelo, mesmo depois dela ter resistido e voltado para as águas “calientes” da Espanha. A questão do tratamento de adaptação me fez pensar numa das questões da sociedade atual. É preciso mesmo adaptar a foca ao seu habitat “usual”? Ela não poderia viver em um zoológico só com um pouquinho de gelo? A questão lembra muito aqueles terapeutas que fazem tudo para o seu paciente se inserir “normalmente” na sociedade em que vive. Será mesmo que todo mundo quer, deve ou pode estar inserido? Bom, é apenas um digressão intelectual.
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Uma expedição virtual pela Antártica
Por Luís Indriunas | 25 de agosto de 2008
Uma boa dica para os internautas que se interessam pelos pólos é o site “Antártica - última fronteira”. Trata-se de um diário de bordo do glaciólogo Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que acompanhou uma expedição chilena ao pólo Sul, em 2003, e tornou-se o primeiro brasileiro a chegar à latitude 90º Sul. Simões prepara agora a primeira expedição totalmente brasileira para lá. Só para deixar claro, o Brasil está próximo ao continente antártico, na ilha rei George, com a estação Comandante Ferraz, mas poucos foram os cientistas no mundo que chegaram ao pólo. Para Jefferson e sua equipe, a chegada ao local será interessante para trabalho de coleta e análise de amostra de gelos, trabalho que contribui para a história do clima, poluentes e vida na Terra.
O site www.ultimafronteira.com.br é muito agradável de navegar. Parece até que estamos lá. Nós podemos guiar com as teclas de seta o aventureiro de roupa vermelha e superprotegida. Há muitos detalhes legais como, por exemplo, caminhando percebemos a latitude, altitude e temperatura da área estamos. Experimente e conheça um pouco mais sobre o nosso planeta.
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Mais de 550 pingüins recolhidos na Bahia e muito mais pelo país
Por Luís Indriunas | 20 de agosto de 2008
Ainda não existe um número consolidado de pingüins que chegaram às praias brasileiras neste inverno de migração atípica. Mas há números prévios que mostram centenas de pingüins visitando o território brasileiro. Somente na Bahia, foram 575 pingüins de Magalhães, segundo o veterinário Rodolfo Pinho da Silva Filho, do Centro de Recuperação de Mamíferos da Universidade Federal do Rio Grande, que esteve no litoral baiano para ajudar no resgate e tratamento. Esses pingüins estão sob os cuidados do Instituto de Mamíferos Aquáticos da Bahia. Além deles, há cerca de 140 no Espírito Santo. Outros 130, no Rio de Janeiro. E assim, por diante, até o sul. Um levantamento exato só deve acontecer no final de setembro ou outubro, data em que eles normalmente voltam para a Patagônia.
A principal diferença dos pingüins achados na Bahia para os do Rio Grande do Sul, que hoje chegam a cerca de 60, é que os do nordeste são normalmente jovens e chegam magros e fracos pelo esforço de ir atrás de comida até tão longe. Os do sul chegam normalmente sujos de óleo, mas ainda alimentados. O óleo acaba afetando sua termoregulação e eles procuram a praia para tentar se esquentar. O tratamento para cada um também é diferente. Os “baianos” devem ser alimentados e demoram de 30 a 60 dias para se recuperarem e poderem voltar para sua jornada. Os “gaúchos” obviamente são também alimentados, mas, principalmente, são limpos (basicamente com detergente) e têm que esperar cerca de 15 dias para voltarem para o mar.
Aliás, milhares de outros pingüins nem aparecem para nós. São cerca de 1,3 milhão desses pingüins, segundo o site seaworld. A migração desses pingüins que acontece de fevereiro a novembro sempre ocorre em alto mar. Lá eles se alimentam e depois voltam para a Patagônia. Aportar na praia não é usual, é uma necessidade. Quanto aos motivos para eles terem chegado na Bahia, ainda é uma incógnita para os pesquisadores. Pode ser falta de alimento, correntes marítmas diferentes, alguma ameaça… “De qualquer modo, o Brasil só tem pesquisa sistemáticas sobre pingüins nos últimos 15 anos. É muito pouco tempo para avaliar precisamente esses fenômenos”, afirma Rodolfo.
As fotos abaixo mostram um pouco do trabalho do Federal do Rio Grande. Ah, e se quiser mais detalhes do sistema de trabalho deles, clique aqui.


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Embaixador do clima prega economia contra aquecimento global
Por Luís Indriunas | 19 de agosto de 2008
Eles são 39 jovens estudantes de 13 países escolhidos para seres embaixadores do clima, uma espécie de porta-voz juvenil do meio ambiente no mundo. Eles foram selecionados pelo British Council nos países do chamado G8+5 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido, EUA + Brasil, China, Índia, México e África do Sul) e participaram no Japão da Conferência Mundial do Meio Ambiente no primeiro semestre deste ano, além de participar de outros treinamentos e encontros. Do Brasil, foram selecionados Guilherme Pastore, de São Paulo, Laila Santos, de Goiás, e Antônio Filho, do Ceará. Conversei com Antônio por email para explicar melhor o que significa isso. Ele, inclusive, esteve em um dos bate-papos da exposição Latitude 90º.
O que é ser embaixador do Clima?
É procurar levar o conhecimento de mudanças climáticas a todos, mostrar que é possível solucionar o problema caso todos, sem exceção, se conscientizem da real gravidade do problema e de que a participação geral é necessária.
Como aconteceu a escolha dos embaixadores?
Ao ver o site do programa baixei a ficha de inscrição e a preenchi. Era necessário fazer uma pequena descrição de si e uma redação sobre o tema “mudanças climáticas”. Seiscentas pessoas mandaram sua fichas de inscrição. Dessas, o British Council escolheu 21 finalistas. Fiquei entre esses. A etapa seguinte era uma prova de inglês e uma entrevista – em inglês e português – a serem realizadas no escritório do British Council em Recife. A entrevista foi realizada por vídeo-conferência entre o escritório de Recife (onde eu estava) e o escritório do Rio de Janeiro (onde estavam meus avaliadores). O resultado saiu aproximadamente 2 semanas depois, antes do dia previsto, ou seja eu não esperava de maneira alguma.
Que tipo de evento ou trabalho você tem feito?
Eu estudo economia, então estou tentando pesquisar sobre a economia das mudanças climáticas. É uma nova área, mas muito importante, pois, já que uma abordagem humana muitas vezes não convence, tentemos convencer as pessoas pela economia, provando que tomando medidas sustentáveis, evitamos prejuízos e ainda se consegue bons lucros por mais tempo. Como um dos objetivos do programa é integrar mais a juventude na questão das mudanças climáticas, estou dando palestras, principalmente em escolas, sobre esse tema. Nessas palestras, mais do que tentar construir um cenário apocalíptico, tento mostrar a importância da ação de cada um na construção de uma sociedade baseada na baixa emissão de carbono.
Dos lugares que você passou, quais os mais receptivos?
A aceitação foi muito boa entre todos. Jovens falam comigo “Cara, você ganhou um fã!”, os adultos “Sua abordagem, mais econômica, é muito séria e mostra ser uma boa iniciativa”. Todos, à sua maneira, captam algo das palestras e sentem que a situação tem que mudar. Isso que é importante, que cada um, dentro de seu modo de ser, comece a mudar. Não quero que ninguém vá para o campo e voltemos para uma sociedade feudal.
Quais os programas que você fez ou fará em relação ao Ano Polar?
Em minhas palestras, tento focar bastante nos pólos. Devido ao fato de serem ecossistemas extremamente frágeis e sensíveis a quaisquer mudanças, tento ligar o alto nível de derretimento do Ártico e da Antártida com as mudanças climáticas e mostrar as conseqüências econômico-sociais para a humanidade inteira caso algo não seja feito para reverter essa situação de aquecimento global.
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Os depoimentos de quem visitou a exposição Latitude 90
Por Luís Indriunas | 15 de agosto de 2008
O livro de visitas de uma exposição é um bom termômetro para saber o que pensam as pessoas não só sobre o que foi visto, mas também sobre os temas que margeiam a exposição. Veja alguns depoimentos de quem visitou Sesc Pompéia e a exposição Latitude 90.






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Latitude 90 vai para Bertioga e Instituto Goethe
Por Luís Indriunas | 15 de agosto de 2008
Com algumas modificações, a exposição Latitude 90, que ficou dois meses, no Sesc Pompéia, em São Paulo, começa sua intinerância. Dentro de algumas semanas, parte da exposição vai para o Centro de Educação Ambiental do Sesc Bertioga e, possivelmente no começo do ano que vem, vai para o Instiuto Goethe, em São Paulo.
Segundo o coordenador da exposição, Clóvis Arruda, ela foi um sucesso. Cerca de 2 mil pessoas por dia passaram pela exposição que abordou vários aspectos tanto do Ártico quando da Antártica. Além disso, cerca de 3.500 alunos de vários escolas participaram dos bate-papos e palestras da programação paralela. Se você perdeu fique atento para visitar os próximos locais da exposição, que serão informados aqui.
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Líder esquimó faz auto-ajuda ecológica
Por Luís Indriunas | 14 de agosto de 2008
O líder esquimó Angaangaq, do grupo Eskimo-Kalaallit e morador do extremo norte da Groenlândia, esteve ontem no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, falando para uma platéia de estudantes e profissionais de economia, administração de empresas e afins.
A platéia riu com Angaangaq, mas recebeu poucas informações e muitas frases de efeito no melhor estilo dos show-men de auto-ajuda. É pouco provável que alguém no bem informado auditório não soubesse pelo menos de passagem sobre os efeitos do aquecimento global no Ártico. É verdade que o testemunho de quem vive em regiões de natureza frágil é sempre encorajador para pensar melhor sobre o assunto. “Nos meus 60 anos de vida, vi a camada de gelo diminuir de 5 km de espessura para 2,5 km”, disse o líder esquimó, com voz pausada. “Como não consigo mais fazer iglus para minha temporada de caça, acabo tendo que levar equipamentos que pesam cerca de 100 quilos e como conseqüência mais cães para carregá-los e, por isso, acabo matando mais focas para alimentá-los”, comentou o xamã.
O problema é que o testemunho e a força das informações não passam disso. Ao falar de razões e maneiras de reverter a situação, ele não conseguiu fugir do lugar comum. “Minha terra está derretendo por causa do modo como se vive em São Paulo, Los Angeles ou Montreal.” Reclamou do Greenpeace que o proíbe de caçar focas e evitou falar das diferenças das várias etnias de esquimós e as formas como cada país atua no Ártico. “Os pássaros não sabem qual é a fronteira do Alaska, do Canadá ou da Dinamarca”.
No final, Angaangaq sugeriu uma mudança espiritual. “A maior distância que existe entre os homens e da mente com o coração”. Tocou seu tambor, cantou e rezou. A platéia, acostumada a lidar com os árduos números e duras condições do mundo dos negócios, saiu de lá com o sorriso no rosto e mais uma vez convicta da importância da luta ambiental. Ótimo. Apenas um mal estar fica na cabeça dos mais críticos que assistiram ao encontro. É preciso um esquimó vir falar dos problemas ambientais e pedir que rezemos? Será que não temos pessoas com testemunhos tão potentes quanto ou com grande espiritualidade pertinho de nós?
Bom, como nada é em vão na vida. Fica o testemunho de Angaangaq, o mantra que cantou e a vontade de saber um pouco mais concretamente sobre os grandes problemas que afetam o Àrtico.
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Para os jovens cientistas
Por Luís Indriunas | 13 de agosto de 2008
Incentivados pelas ações do Ano Polar, jovens cientistas criaram listas de discussões sobre assuntos voltados para a pesquisa nas regiões polares. É uma iniciativa da Apecs (Association of Polar Early Career Scientists). Para conhecer a lista internacional, clique aqui. O Brasil também já tem a sua própria lista nos grupos do Google. Para conhecer, vá no google - grupos e digite: apecs brasil.
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Sobre o ranking ecológico
Por Luís Indriunas | 13 de agosto de 2008
A leitora Carla mandou um cometário sobre o post do ranking ecológico, perguntando, mas afinal o que é o ranking ecológico? Bom, a questão de medir econômica, social e ecologicamente uma nação ou região é uma das grandes discussões atuais. Baseados no tripé da sustentabilidade é possível chegar a critérios mais abrangentes e menos economicistas do que o famigerado Produto Interno Bruto (PIB), a velha medida para determinar que uma nação é ou não desenvolvida. No caso específico do Environmental Performance Index (EPI), há vários critérios como quantidade de água potável, poluição do ar, número de queimadas, emissão de carbono. São só critérios ambientais. O ideal para os bons estatíticos e gestores de políticas públicas seria mesclar o EPI e o PIB, com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para chegarmos à fórmula ideal de um desenvolvimento realmente sustentável.
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As skuas antárticas
Por Luís Indriunas | 12 de agosto de 2008
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Conforme prometido, vamos falar das skuas. Menos populares que os pingüins, as skuas são aves marinhas e migratórias que fazem seus ninhos na região antártica. Na região da estação Comandante Ferraz, duas espécies são comuns: a skua-marrom (Catharacta lonnbergi) e a skua-polar-do-sul (Catharacta maccormicki ). A foto mostra um exemplar da skua-polar-do-sul chocando seus ovos. As skuas atacam ovos e filhotes de pingüins e de outras aves, além de se alimentar de carcaças e outros alimentos. Na verdade, elas são oportunistas e comem de tudo, desde ovos de pingüins até alimentos oferecidos para elas pelos humanos, como bolacha de maisena ou chocolate. É comum seres humanos darem comida para as skuas-marrons. Obviamente oferecer alimentos aos animais não tem anda a ver e deve ser evitado, em qualquer ambiente, não só na Antártica. Como elas migram por longas distâncias durante o inverno, estão sujeitas às mais diversas influências e não se sabe bem ainda que tipo de alimentos elas consomem e quais interações ocorrem entre as skuas e os seres humanos durante sua migração. Aliás, a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Erli Schneider Costa, autora da foto acima, vêm estudando o comportamento destas aves, além de suas características genéticas e níveis de contaminação. Os primeiros resultados indicam existir uma contaminação por mercúrio que é maior, até o momento, para a skua-polar-do-sul. As skuas estão longe do perigo de extinção, mas há necessidade de acompanhar a ecologia da espécie e verificar a ocorrência de desequilíbrios. Sua população, nas proximidades da estação brasileira cresceu mais de 300% de 1979 até hoje. Não há ainda uma explicação definitiva para isto, mas, como elas são oportunistas e comem de tudo, não tem problemas em encontrar comida e podem ter mais sucesso na sua reprodução do que outras espécies. Ah, só mais uma curiosidade, as skuas são aves monogâmicas como os pingüins e os machos também auxiliam no cuidado com os ovos e filhotes.
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Luís Indriunas, editor do HSW Brasil, é jornalista formado pela USP e mestre em planejamento do desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA.